A História da Igreja de Cristo #48 - Avivamento da Rua Azusa (Parte 2)

17:15


Era num antigo depósito e estábulo, com feno, que os cultos da Rua Azusa eram realizados. Não havia plataforma elevada pro pregador, não tinham instrumentos musicais, e as pregações eram simples. Eles só estavam preocupados com adoração para Deus. Mesmo assim, parecia que aquele singelo depósito era uma parte do Terceiro Céu.

A presença de Deus era física, em manifestações, curas divinas, e os demônios eram expulsos. Isso atraiu muitos ministros de toda parte do continente até aquele local. Chegavam e saiam de lá renovados, cheios da presença de Deus, e também motivados para continuar sua missão onde quer que fossem levar à Palavra, levando consigo o que viveu naquele ambiente.



O jornal “The Apostolic Faith”

Para divulgar o Evangelho, o pessoal da Rua Azusa publicou um jornal chamado "The Apostolic Faith" (A Fé Apostólica), que publicava sobre esse novo movimento de fé, fogo e pentecostes. A primeira tiragem do jornal foi de 5.000 cópias, mas rapidamente foi para mais de 50.000 cópias. Em pouco tempo, já haviam exemplares em diversos lugares do mundo. Teve, inclusive, um culto onde estiveram presentes mais de 20 nacionalidades diferentes em um dos cultos naquele lugar.

Repare que, apesar do “The Apostolic Faith” divulgar o Ministério da Rua Azusa, eles não estavam preocupados em divulgar apenas “uma placa de Igreja”. O que eles queriam mostrar era que o mundo reconhecesse que o Avivamento (ou Reavivamento) era real, não estando apenas registrado nas páginas da Bíblia. Isso despertou a fé das pessoas, de tal modo que muitos foram, pessoalmente, até as dependências da Rua Azusa, procurar ver pessoalmente essa atmosfera da qual era pregada nesse jornal.

Oura coisa interessante em citar é que o pessoal da Rua Azusa em nenhum momento provocou divisão na Igreja. Isto é, muitos ministros foram abençoados por lá, e levaram essas experiências para seus próprios ministérios. O pessoal da Rua Azusa em nenhum momento se considerou como “única Igreja de Cristo”, e tratavam todos como irmãos, independente da Igreja com a qual faziam parte. Conforme falado antes, a preocupação maior nos cultos lá não eram em si os milagres e maravilhas, mas sim AFORAÇÃO PARA DEUS, e Ele respondia a Sua Maneira, através das curas, avivamento e toda sorte de milagres e prodígios naquele local.

Uma Igreja que abraça Negros e Brancos, Mulheres e demais congregações 

Enquanto William Seymour ficava no corredor nas aulas de Charles Fox Parham, quando os cultos começaram (tanto na Rua Bonnie Brae quanto na Rua Azusa) não havia divisão racial. Em época onde era proibido na América estarem num mesmo local negros e brancos, os cultos do pessoa de William Seymour quebraram isso. Haviam negros e brancos sentados lado a lado na Rua Azusa.Além disso, mulheres tinham espaço na liderança da Igreja, o que foi um grande marco para época. Os cultos não tinham nenhum tipo de divisão doutrinária, tendo membros de diversas igrejas da América: Batistas, Presbiterianos, os Metodistas, Menonitas (igreja que nasceu dos Anabatistas) e os Quakers. Os cultos abrigavam de 300 à 1.500 pessoas dentro do edifício.

Charles Fox Parham (quando ficou sabendo dos cultos com negros, mulheres e brancos juntos) comentou o seguinte:

“Homens e mulheres, brancos e negros, se ajoelham juntos ou caem uns sobre os outros; uma mulher branca, talvez com riqueza e cultura, podia se ver lançada aos braços de um 'homem negro', e permanecia firmemente assim se estremecendo e sacudindo em uma louca imitação do pentecostes. Horrível, uma vergonha terrível!”

Ao que parece, Charles Fox Parham, tinha inveja de William Seymour. Ele queria ser reconhecido como a figura de autoridade principal do movimento de (Re)Avimamento, e não aceitava perder “o posto” para um dos seus alunos, ainda mais aquele que o rejeitou por conta da sua cor. Seymour não estava preocupado com isso. Ele só estava preocupado com a ADORAÇÃO para Deus. Por conta disso, o próprio Seymour convidou Charles Fox Parham para pregar na Rua Azusa, mas Parham recusou. 

O Exemplo da Rua Azusa para TODAS as Igrejas do mundo

A preocupação do pessoal ali era unicamente adoração para o Senhor Deus. E Deus se fazia presente com o povo, como um Pai que ama e quer responder os anseios dos seus filhos.

“Em anos  recentes, eu ouvi pregadores falar levianamente das reuniões da Rua Azusa, dizendo que eles tiveram reuniões tão boas nos seus ministérios. Os velhos só podem sentir compaixão dos tais e podem ter pena deles. Naquelas reuniões você foi batizado não só no Espírito Santo, mas também vivia em tanta atmosfera divina de amor que você nunca pode esquecer disso, e qualquer outras coisa parece tão vazio e nulo. Até mesmo enquanto eu escrevo estas páginas as memórias das reuniões voltam voando, meus olhos começam a fluir com lágrimas e tal desejo e anseio me possuí para poder retornar àquela condição. Eu posso sentir aquele fogo sagrado que ainda queima e tenho a convicção que Deus visitará o Seu povo novamente de uma maneira igual antes do fim da dispensação presente. 

Se o povo de Deus só se juntassem e se esquecerem de doutrinas e líderes cuja visão é borrada construindo igrejas e recolhendo dízimos, tendo um só objetivo, de ser enchido de toda a plenitude de Deus, eu sei que Deus responderia à oração. As doutrinas e o ensino têm o seu próprio lugar no plano de evangelho mas aquele poder do amor de Deus que domina e atrai têm que voltar primeiro e a nossa presente condição morna é causada pela falta deste amor que "nada pode ofender." 

-- Glenn A Cook, citado no livro "The True Believers" por Larry E Martin


Ambiente do Céu…

Veja o que uma testemunha da época comentou sua experiência em um culto 

“Agora eu estava ansioso para ver o que estava acontecendo na Rua Azusa! Na noite seguinte ela me convidou para ir junto com ela. Quando nós chegamos dentro de um quarterão do prédio de branco de dois andares eu sentia uma "sensação me puxando." Eu não poderia ter me virado se eu quizesse.

Por dentro,  o lugar se parecia um grande, simples celeiro. A maioria dos assentos - tabuas ásperas em cima de barris de madeira - estavam ocupados. Havia tantas pessoas negras quanto brancas. Eu não pude entender por que caixas postais de metal foram pregadas às paredes. 

Enquanto nós chegamos a um lugar aberto num banco traseiro, eu sentia um frio de repente. Como  poderia ser? Então eu comecei a sentir arrepios. Se sentia como se estivesse envolvido  por Deus. Eu estava tremendo. Também a minha mãe e todo mundo tremia. 

Na plataforma, um homem negro - a mãe disse que era o Pastor W J Seymour - se sentou atrás de duas caixas de madeira. Estas eram o seu púlpito. De vez em quando ele levantava a sua cabeça e se sentava reto, os seus lábios se mexendo em oração silenciosa. Ele era um homem simples, com uma barba curta e um olho de vidro. Ele não parecia ser um líder para mim, mas quando eu vi o que acontecia, eu soube que ele não teve que ser. 

Algo incomum estava acontecendo. Na maioria das igrejas, as crianças estariam correndo ao longo do corredor ou se mexendo e virando nos seus assentos. Aqui as crianças, sentado entre os seus pais - atés bebês no braços das suas mães - estavam quietos. Mas não foram os seus pais que as mantiveram assim. Ninguém nem sussurrou. Todos os adultos estavam orando com olhos fechados. 

Eu soube que o Espírito de Deus estava alí. De repente, as pessoas se levantaram aos seus pés. Em todos lugares mãos se esticaram aos céus. Os meus braços subiram, e eu não tinha tentado os  levantar. Assim fez as mãos de crianças menores e até mesmo de bebês nos braços das mães negras. 

Homens grandes, fortes começaram a clamar em voz alta, depois as mulheres. Eu tinha vontade de chorar, também. Eu não sei por que. Eu apenas sentia, "Obrigado, Deus, por me permitir estar aqui com Você." 

Enquanto eu olhei para a congregação, um outro arrepio correu pela minha espinha. Era como se ondas do mar estivessem movendo de um lado da congregação para o outro - a visão mais emocionante que eu já tinha visto. 

Onda depois de onda do Espírito passou pela sala como a brisa em cima de um campo de milho. Novamente a multidão sentou nos seus assentos. E orações começaram a zumbir pela sala. Então línguas de fogo se apareceram de repente sobre as cabeças de algumas pessoas, e um homem negro com seu rosto brilhando pulou aos seus pés. Da boca dele palavras afluíram num idioma que eu nunca tinha ouvido antes. Eu comecei a tremer mais forte que antes. 

Ocasionalmente, enquanto Pastor Seymour orava, a sua cabeça estaria tão baixa que esta desapareceu atrás da caixa de madeira. Quando o silêncio poluiu na sala, uma mulher branca pulou do banco. 

"Oh, meu bendito Jesus", ela clamou, "Eu posso ver. Eu posso ver." Ela colocou as suas mãos em cima dos seus olhos. "Oh, Jesus, obrigada. Obrigada por este milagre." 

E ela mergulhou-se no corredor  e começou a dançar, as suas palmas abertas levantadas para céu. "Obrigada, Pai. Eu posso ver. Eu posso ver!" 

Antes da noite terminar, uma outra pessoa cega poderia ver, o surdo poderia ouvir e o aleijado poderia caminhar. 

-- A C Valdez, citado no livro "The True Believers: Part Two" por Larry E Martin

Frutos da Rua Azusa no Evangelho no Brasil

Conforme falamos, muitos ministros visitavam a Rua Azusa, e eram impactados com essas reuniões. Um deles era um cristão chamado William Howard Durham. Ele cria no Batismo com o Espírito Santo, mas entendia que não precisava de sinais para evidenciar esse batismo. Porém, quando visitou os cultos de William Seymour na Rua Azusa, ele acabou recebendo o real batismo, falando em línguas estranhas. Ele ficou por semanas nos cultos da Rua Azusa, até voltar para Chicago, onde tinha uma igreja responsável lá.

William Howard Durham acabou formando muitos missionários, com as quais alguns são fundadores de grandes igrejas brasileiras, como Daniel Burg (fundador da Assembleia de Deus no Brasil) e Luigi Francescon (fundador da Congregação Cristã no Brasil). Fora isso, o fundador da Igreja Assembleia de Deus dos EUA (que não é a mesma que a do Brasil, diga-se de passagem) também foi um missionário formado por Durham.

Curtam a nossa página no Facebook para acompanhar nossas células ao vivo.
Aproveite e também se inscreva no nosso canal do Youtube

Você também pode gostar

0 comentários

Curta nossa Página